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sábado, 18 de junho de 2011

Estrela do Dia: Maria Bethânia - Aniversário 65 Anos


Bethânia



No dia 18 de Junho de 1946, numa terça-feira, às 16:40 horas, na Rua Conselheiro Saraiva, número 39, antiga Rua Direita, em Santo Amaro da Purificação – Bahia, nascia mais um filho de Dona Claudionor Vianna Telles Velloso (Dona Canô) e Senhor José Telles Velloso (Sr. Zezinho ou Zeca), desta vez uma menina, cujo nome foi escolhido pelo irmão Caetano Emanuel, que nesta época tinha quatro anos de idade. O nome não poderia ser ao mesmo tempo tão sonoro, belo e forte quanto é: Maria Bethânia. Essa Estrela-Guia, Deus nos presenteou para dar alegria, felicidade e amor, muito amor, para em qualquer momento que a ouçamos cantar ou falar nos transportemos para um mundo de paz, esperança e onde saibamos acima de tudo respeitar o próximo e amá-lo em plenitude, enfim, um mundo mágico onde só é possível chegar através do amor sublime.




Mas, a escolha do nome não foi assim tão fácil, vejamos: Conta-se uma história verídica do século passado, sobre uma determinada criança que já nasceu consagrada, numa pequena cidade do interior da nossa tão bela, querida e amada Bahia...
Na casa dos Vianna Telles Velloso tudo transcorria normalmente. As tardes continuavam a ser decoradas pela figura imponente do rádio, que tinha naquela família um ardoroso fã de quatro anos de idade: o menino Caetano. Era pensando especialmente em seu encantamento que seguindo um ritual, o botão do aparelho era acionado para vislumbrar um mundo vasto e poderoso aos  sentidos aguçados do garoto.



Família Velloso


Caetano tinha mais quatro irmãos, eram três meninas (Eunice, Clara e Mabel) e dois meninos (Rodrigo e Roberto). Dona Canô estava em vias do sétimo filho. Foi talvez por causa de suas incansáveis audições de rádio, que Caetano apareceu um dia com mais uma idéia maluca na cabeça: disse que a criança que mãe Canô esperava seria menina e se chamaria Maria Betânia (na letra da música o Betânia é sem h).
Evidentemente que aquilo não passou de uma tolice aos ouvidos de Dona Canô e Sr. Zezinho. Sabiam que Maria Betânia era nome de uma música muito famosa, de autoria de Capiba e interpretada por Nelson Gonçalves, que a gravou em 1945. E batizar um filho com nome de uma música, era a última coisa que lhes passava pela cabeça.

A 18 de junho de 1946, eles eram pais de mais uma menina, conforme previsão de Caetano. E como tirar da cabeça de Caetano a absurda idéia de colocar nome de "Betânia" na criança? Havia outras sugestões de nome como Gisleine e Maria de diversos complementos, porém D. Canô não tinha preferência, pois como toda mãe o desejo maior é de que a criança seja saudável.


Caetano, Dona Canô e Bethânia

Sr. Zezinho pegou um boné que pertencia a Caetano. Reuniu a família e pediu a todos que escolhessem um nome. Democraticamente numa espécie de plebiscito os nomes foram escritos num papel, embrulhados e colocados dentro do boné. Um aviso geral, principalmente dado a Caetano: o nome escolhido através do sorteio, não poderia ser contestado. Depois do boné ser bem agitado para embaralhar os rolinhos de papel, Sr. Zezinho o dirigiu a Caetano que fechou os olhos e fez a escolha. Pronto! A criança estava quase batizada. Seu nome? MARIA BETÂNIA é claro! E como nos disse a Rainha: O velho, muito católico, lembrou-se do personagem bíblico que um dia auxiliou Jesus na dor e botou como na Bíblia que lia: com th e o circunflexo. Acho que o h no meio é que dá o charme. Bahia também tem, né? (Rev. Guitarra & Violão MPB, 1980, mod.)


Maria Bethânia foi batizada na Igreja Nossa Senhora da Penha, em Salvador, pela irmã Clara e por Eduardo Mamede, hoje falecido.






Dona Maria


De jeans e camiseta, cabelo preso, aos gritos de "pega, mata e come!", Bethânia já foi musa da esquerda, tempos do show Opinião. Graças ao acaso – se acaso existe e não, destino - que trouxe a menina Berré de Santo Amaro da Purificação, Bahia, para os palcos do centro do país. Peruca canecalon, coberta de colares e pulseiras, gestos largos, recitando Fernando Pessoa e Clarice Lispector – Bethânia foi musa. A voz muito grave, sussurrando versos sensuais, embalou os amores dos casais pelos motéis, rivalizando na vendas de discos com o rei Roberto Carlos. Prendeu, soltou os cabelos, calçou, tirou os sapatos, largou as gravadoras comerciais, no auge do sucesso, trajetória inversa, tornou-se independente: conquistou o direito de gravar o que gosta, num repertório coerente e fiel à música brasileira.
Foram muitas Bethânias nesses mais de 20 anos. Ou era um só? O escritor Júlio Cortázar, fã confesso (não fosse um iniciado em magia), afirmava que Bethânia e Caetano são uma única pessoa: yin/yang, homem/mulher, Oxóssi/Iansã. Foi muito in, ficou inteiramente out – até ultrapassar as divisões maniqueístas dos manipuladores da opinião pública para ocupar esse lugar muito especial só reservados ao mitos. Bethânia, deusa guerreira, de espada em punho e voz rouca, inconfundível, procurando sempre versos que falem às emoções dos apaixonados. Gosta-se dela como se cai em estado de paixão: além de qualquer razão.
E bela. Bela de um jeito que não é comum ser bela, cantora como não é comum ser cantora – nesse desregramento de padrões estéticos, Bethânia funde a aspereza de onde começa o Nordeste com o requinte dos blues de uma Billie Holiday. Cantora diurna das terras crestadas pelo sol, mas também noturna, dos lençóis de cetim úmidos de suor e amor, transita numa carreira de impecável coerência com sua própria criatura: dividida em mel e espada. Padroeira dos apaixonados, também divididos entre o mel e a espada cortante da vingança. Dessa extensa legião, Maria Bethânia é a voz mais fiel.


Caio Fernando Abreu



sexta-feira, 29 de abril de 2011

Estrela do Dia - 70 Anos de Vida - Nana Caymmi

Nana no colo dos pais


Nana Caymmi (Dinair Tostes Caymmi)
Nascida no Rio de Janeiro (RJ),em 29 de abril de 1941.


Danilo, Dori, Dorival e Nana - Família Caymmi


Filha de Dorival Caymmi e Stella Maris, irmã de Danilo e Dori Caymmi, cresceu numa das famílias mais musicais do Brasil. Começou a cantar ainda muito jovem, adotando desde cedo uma técnica particular para valorizar seu timbre grave.



Nana


“A música me escolheu. Eu não escolhi nada, é a minha criação”, resume a filha de Dorival de dona Stella Maris Caymmi, que abandonou a carreira de cantora para se casar. De acordo com Nana, ela sempre foi levada pelo tipo de música (romântico-jazzística) que a consagrou. “Quando conheci Toninho Horta e Cláudio Nucci, por exemplo, estarreci. A gente apaixona e fica ali”, explica o processo de escolha dos autores que canta, assumindo-se uma intérprete de formação popular-erudita. Amor, romantismo, união e separação, como faz questão de ressaltar, são temas constantes das canções que interpreta. “Hoje, no gênero, sou única”, orgulha-se.



Nana


Canto o dia a dia: amor, desamor, brigas nunca mais, solidão. “E olha que não sou eu que faço as canções. Consigo é lê-las de forma mortal”, salienta o talento nato para o canto pungente. “Não sei se vejo filme demais. Crime e castigo (Dostoiévski), Guerra e paz (Tolstoi)”, lista títulos sugestivos da literatura universal. Apaixonada por leitura, ópera e cinema, a fã do pintor Claude Monet não sabe a quem atribuir tais características. “Fui criada à beira mar, com paciência para a natureza. Meu pai sempre quis espaço e silêncio para pintar e criar. Acho que nos acostumamos ao silêncio, que leva à contemplação, à paciência”.



Nana e Sandy


O documentário Rio sonata: Nana Caymmi, do cineasta francês Georges Gachot. Mesmo diretor de Música é perfume: Maria Bethânia, que narra a trajetória da intérprete baiana, no novo filme Gachot centra suas câmeras sobre o talento da cantora carioca. “No filme tem coisas que gosto, outras são desnecessárias”, dá sua opinião sincera. Em alguns momentos ela acha que falou demais, sem perceber que estava sendo filmada. “Mas no geral é muito legal. É a visão dele, de seu país, que não é a minha”, destaca a cantora. “A parte que mais gosto são as gravações em estúdio. É a minha vida que está ali”, reconhece Nana.


Rio Sonata: Nana Caymmi (trailer):






Fonte: http://www.divirta-se.uai.com.br/html/sessao_19/2011/04/10/ficha_musica/id_sessao=19&id_noticia=37250/ficha_musica.shtml