Em todo sólido, todo gás e todo líquido
Em átomos, palavras, alma, cor, em gesto e cheiro
Em sombra, em luz, em som magnífico.
É impossível levar um barco sem temporais
E suportar a vida por um momento além do cais
Que passa ao largo do nosso corpo
Não quero ficar dando adeus
As coisas passando eu quero
É passar com elas eu quero.
Este seu olhar
Quando encontra o meu
Fala de umas coisas
Que eu não posso acreditar
Doce é sonhar
É pensar que você
Gosta de mim
Como eu gosto de você!
Mas a ilusão
Quando se desfaz
Dói no coração
De quem sonhou
Sonhou demais
Ah!, se eu pudesse entender
O que dizem os teus olhos...
DIZ NOS MEUS OLHOS (INCLEMÊNCIA) Guerra Peixe - Zélia Duncan
Pensei que haveria um pouco mais
De amor para mim
Guardei cada luar
Cada verso encoberto
Nas notas da canção
Pra que?
Se um vazio me esperava e eu não percebi
Devolve meus dias, minha alegria
Diz nos meus olhos verdades ruins
Que não foi bom rimar
Cada carinho que eu fiz Que a minha voz cantada
Nem soa tão bem
Que os nossos sonhos
Foram pesadelos, enfim
Mas pelo menos fala pra mim
Esse silêncio é que me atordoa
Se foi tudo à toa
Volta e me deixa Me recolho, volto ao meu mundo
O que é só meu, tem que voltar pra mim
Me lembro quando você passou
Era um dia tão claro de sol
Pensei, meu Deus, é um sonho
Meu coração feito um louco batuque
Por isso agora
Não me machuque
Vou te guardar como triste lembrança
Ninguém jamais vai me enganar outra vez
Eu prometo a vocês.
Valsa da Solidão (Paulinho da Viola / Hermínio Bello de Carvalho)
Onde estava tanta estrela que eu não via
Onde estavam os meus olhos que não te encontravam
Onde foi que pisei e não senti
O ruído dos teus passos em meu caminho. Onde foi que vivi
Se nem me lembro se existi
Antes de você. Ah! Foi você quem trouxe essa tarde fria
E essa estrela pousada em meu peito
Ah! Foi você quem trouxe todo esse vazio
E toda essa saudade, toda essa vontade de morrer de amor.
Ah, vem cá, meu menino
Pinta e borda comigo
Me revista, me excita
Me deixa mais bonita
Ah, vem cá, meu menino
Do jeito que imagino
Me tira essa canseira
Me tira essas olheiras
De esperar tanto tempo
A mudança dos ventos
Pra me sentir com forças
Prá me sentir mais moça
Ah, vem cá, meu menino
Pinta e borda comigo
Me revista, me excita
Me deixa mais bonita
Ah, vem cá, meu menino
Do jeito que imagino
Me tira essa vergonha
Me mostre, me exponha
Me tire uns 20 anos
Deixa eu causar inveja
Deixa eu causar remorsos
Nos meus, nos seus, nos nossos
La, ia, la, ia, ê / La ia ê
La, ia, la, ia, ê / La ia ê
La, ia, la, ia, ê / La ia ê
La, ia, la, ia, ê / La ia ê
Eu sei e você sabe, já que a vida quis assim
Qua nada nesse mundo levará você de mim
Eu sei e você sabe que a distância não existe
Que todo grande amor
Só é bem grande se for triste
Por isso, meu amor
Não tenha medo de sofrer
Que todos os caminhos me encaminham pra você
Assim como o oceano
Só é belo com luar
Assim como a canção
Só tem razão se se cantar
Assim como uma nuvem
Só acontece se chover
Assim como o poeta
Só é grande se sofrer
Assim como viver
Sem ter amor não é viver
Não há você sem mim
E eu não existo sem você
Tudo que move é sagrado
E remove as montanhas com todo cuidado, meu amor
Enquanto a chama arder
Todo dia te ver passar
Tudo viver a teu lado
Com o arco da promessa do azul pintado pra durar
Abelha fazendo mel
Vale o tempo que não voou
A estrela caiu do céu
O pedido que se pensou
O destino que se cumpriu
De sentir seu calor
e ser todo
Todo dia é de viver
Para ser o que for
e ser tudo Sim, todo amor é sagrado
E o fruto do trabalho é mais que sagrado, meu amor
A massa que faz o pão
Vale a luz do teu suor
Lembra que o sono é sagrado
E alimenta de horizontes o tempo acordado de viver
No inverno te proteger
No verão sair pra pescar
No outono te conhecer
Primavera poder gostar
No estio me derreter
Pra na chuva dançar
e andar junto
O destino que se cumpriu
De sentir teu calor
e ser tudo Sim todo amor é sagrado
Sim todo amor é sagrado meu amor
Dindi (Antonio Carlos Jobim e Aloysio de Oliveira)
Céu, tão grande é o céu
E bandos de nuvens que passam ligeiras
Prá onde elas vão
Ah! eu não sei, não sei
E o vento que fala nas folhas
Contando as histórias
Que são de ninguém
Mas que são minhas
E de você também
Ah! Dindi
Se soubesses do bem que eu te quero
O mundo seria, Dindi, tudo, Dindi
Lindo Dindi
Ah! Dindi
Se um dia você for embora me leva contigo, Dindi
Fica, Dindi, olha Dindi
E as águas deste rio aonde vão eu não sei
A minha vida inteira esperei, esperei
Por você, Dindi
Que é a coisa mais linda que existe
Você não existe, Dindi
Olha, Dindi
Adivinha, Dindi
Deixa, Dindi
Que eu te adore, Dindi... Dindi
Tocando Em Frente (Almir Sater / Renato Teixeira)
Ando devagar
Porque já tive pressa
Levo esse sorriso
Porque já chorei demais Hoje me sinto mais forte,
Mais feliz, quem sabe,
Só levo a certeza
De que muito pouco sei,
Ou nada sei Conhecer as manhas
E as manhãs
O sabor das massas
E das maçãs É preciso amor
Pra poder pulsar
É preciso paz pra poder sorrir
É preciso a chuva para florir Penso que cumprir a vida
Seja simplesmente
Compreender a marcha
E ir tocando em frente Como um velho boiadeiro
Levando a boiada
Eu vou tocando os dias
Pela longa estrada, eu vou
Estrada eu sou Conhecer as manhas
E as manhãs
O sabor das massas
E das maçãs É preciso amor
Pra poder pulsar
É preciso paz pra poder sorrir
É preciso a chuva para florir Todo mundo ama um dia,
Todo mundo chora
Um dia a gente chega
E no outro vai embora Cada um de nós compõe a sua história
Cada ser em si
Carrega o dom de ser capaz
E ser feliz Conhecer as manhas
E as manhãs
O sabor das massas
E das maçãs É preciso amor
Pra poder pulsar
É preciso paz pra poder sorrir
É preciso a chuva para florir Ando devagar
Porque já tive pressa
Levo esse sorriso
Porque já chorei demais Cada um de nós compõe a sua história
Cada ser em si
Carrega o dom de ser capaz
E ser feliz
Esquece o nosso amor, vê se esquece.
Porque tudo no mundo acontece
E acontece que eu já não sei mais amar.
Vai chorar, vai sofrer, e você não merece,
Mas isso acontece.
Acontece que o meu coração ficou frio
E o nosso ninho de amor está vazio.
Se eu ainda pudesse fingir que te amo,
Ah, se eu pudesse
Mas não quero, não devo fazê-lo,
Isso não acontece.
Olha
Será que ela é moça
Será que ela é triste
Será que é o contrário
Será que é pintura
O rosto da atriz
Se ela dança no sétimo céu
Se ela acredita que é outro país
E se ela só decora o seu papel
E se eu pudesse entrar na sua vida
Olha
Será que é de louça
Será que é de éter
Será que é loucura
Será que é cenário
A casa da atriz
Se ela mora num arranha-céu
E se as paredes são feitas de giz
E se ela chora num quarto de hotel
E se eu pudesse entrar na sua vida
Sim, me leva para sempre, Beatriz
Me ensina a não andar com os pés no chão
Para sempre é sempre por um triz
Ai, diz quantos desastres tem na minha mão
Diz se é perigoso a gente ser feliz
Olha
Será que é uma estrela
Será que é mentira
Será que é comédia
Será que é divina
A vida da atriz
Se ela um dia despencar do céu
E se os pagantes exigirem bis
E se um arcanjo passar o chapéu
E se eu pudesse entrar na sua vida
Você chegou
e iluminou
o meu olhar
Teus olhos nus
Raios de Luz
no azul do mar
Meu coração
Que sempre quis acreditar
Bateu feliz
foi só você chegar
Sei que a paixão
apaga o chão
rareia o ar
Ser e não ser
negar querer
fugir ficar
Mas não fui eu quem quis assim
aconteceu você pra mim
e eu não vou negar o que
o acaso quis pra nós
A chama desse amor me faz
sorrir cantar te quero mais
Te chamo só
pra repetir
te amo
As aparências enganam, aos que odeiam e aos que amam
Porque o amor e o ódio se irmanam na fogueira das paixões
Os corações pegam fogo e depois não há nada que os apague
se a combustão os persegue, as labaredas e as brasas são
O alimento, o veneno e o pão, o vinho seco, a recordação
Dos tempos idos de comunhão, sonhos vividos de conviver
As aparências enganam, aos que odeiam e aos que amam
Porque o amor e o ódio se irmanam na geleira das paixões
Os corações viram gelo e, depois, não há nada que os degele
Se a neve, cobrindo a pele, vai esfriando por dentro o ser
Não há mais forma de se aquecer, não há mais tempo de se esquentar
Não há mais nada pra se fazer, senão chorar sob o cobertor
As aparências enganam, aos que gelam e aos que inflamam
Porque o fogo e o gelo se irmanam no outono das paixões
Os corações cortam lenha e, depois, se preparam pra outro inverno
Mas o verão que os unira, ainda, vive e transpira ali
Nos corpos juntos na lareira, na reticente primavera
No insistente perfume de alguma coisa chamada amor.
Bom dia, tristeza
Que tarde, tristeza
Você veio hoje me ver
Já estava ficando
Até meio triste
De estar tanto tempo
Longe de você
Se chegue, tristeza
Se sente comigo
Aqui, nesta mesa de bar
Beba do meu copo
Me dê o seu ombro
Que é para eu chorar
Chorar de tristeza
Tristeza de amar
Por ser de lá do sertão
Lá do cerrado
Lá do interior, do mato
Da caatinga, do roçado
Eu quase não saio
Eu quase não tenho amigo
Eu quase que não consigo
Ficar na cidade sem viver contrariado
Por ser de lá
Na certa, por isso mesmo
Não gosto de cama mole
Não sei comer sem torresmo
Eu quase não falo
Eu quase não sei de nada
Sou como rês desgarrada
Nessa multidão boiada
Caminhando a esmo
Para quem quer se soltar
Invento o cais
Invento mais que a solidão me dá
Invento lua nova a clarear
invento o amor
E sei a dor de encontrar Eu queria ser feliz
Invento o mar
Invento em mim o sonhador
Para quem quer me seguir Eu quero mais
Tenho o caminho do que sempre quis
E um saveiro pronto pra partir
Invento o cais
E sei a vez de me lançar